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sábado, 26 de outubro de 2013

Geração de energia a partir do lixo é arriscada por causar danos à saúde

Medida só deve ser usada em último caso, depois de esgotadas todas as alternativas 

LUCAS TOLENTINO

A geração de energia pode ser usada como uma das soluções para a destinação dos rejeitos finais depois de esgotadas as possibilidades de reciclagem e reaproveitamento. A implantação de métodos alternativos, as condições e os riscos ambientais e à saúde humana foram discutidas, nesta sexta-feira (25/10), por especialistas e gestores públicos no painel “Recuperação Energética de Resíduos Sólidos Urbanos” da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA). O evento ocorre até domingo (27/10), em Brasília, com o objetivo de envolver governo e sociedade civil nas políticas e questões ligadas ao descarte e tratamento de resíduos no país. 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou que a recuperação energética é uma alternativa depois de esgotados todos os meios de destinação dos resíduos produzidos nas cidades e sem deixar de fora os catadores envolvidos no processo. "É preciso discutir as oportunidades de gerar energia, os custos e as questões de viabilidade e definir o que é possível fazer além de tudo aquilo que a reciclagem já conseguiu se apropriar", afirmou a ministra.

COMPROMISSO

A incineração poderá ocorrer nos casos em que todas as alternativas para os rejeitos já tiverem sido realizadas. "O compromisso do Ministério do Meio Ambiente é assegurar o papel dos catadores", ressaltou a ministra. As discussões realizadas na conferência subsidiarão as medidas que o governo federal adotará em relação ao tema.

Para Izabella, o envolvimento de diversos segmentos da sociedade é essencial na destinação dos resíduos não recicláveis. "A riqueza do debate é mostrar os vários caminhos com a inclusão de todos os atores sociais, que incluem os catadores, prefeitos, parlamentares, empresários e ambientalistas", enfatizou. 

O pesquisador do Núcleo de Resíduos da Universidade Federal de Pernambuco Felipe Maciel destacou que o processo deve ser escolhido de acordo com natureza do rejeito. "A primeira coisa é valorizar o lixo e trabalhar tudo o que for possível no que diz respeito à reciclagem", defendeu. "Os processos variam. Não existe tecnologia boa, nem ruim. Cada uma tem que ser usada adequamente."


Fonte: Ministério do Meio Ambiente
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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Estudo demonstra superioridade da reciclagem sobre a incineração

ClimateWorks dá suporte a políticas públicas que evitem alterações climáticas
Estudo demonstra superioridade da reciclagem sobre a incineração
Climate Works Foundation e o Instituto Via Pública, com apoio da I&T e da NRG, desenvolveram, a pedido do Ministério do Meio Ambiente, um Estudo Comparativo das Rotas Tecnológicas para Tratamento de RSU (resíduos sólidos urbano), comparando a Incineração Mass Burn e a Biodigestão Anaeróbia (TMB) com dados e nas condições brasileiras.
“A conclusão do estudo é da inequívoca superioridade da rota da reciclagem sobre a incineração. Sabíamos disso, mas agora temos no papel, preto no branco” comentou Dan Moche, da Comissão Técnica da Coalizão Nacional contra a Incineração de lixo em Defesa da Coleta Seletiva.
O trabalho conta com as parcerias do especialista em resíduos sólidos Tarcísio de Paula Pinto e do especialista em geração de energia Roberto Kishinami, respectivamente vinculados às empresas I&TSP – Gestão de Resíduos e NRG – Serviços de Energia, e também tem apoio de consultores internacionais.
São tomados como base os dados sobre resíduos sólidos de cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes, nas quais vem sendo observado o histórico de geração lixo e análise gravimétrica – trata da composição e projeção do volume de resíduos sólidos a ser produzido nessas cidades até 2030.
A incineração é um processo de destruição térmica de qualquer resíduo sob alta temperatura. Geralmente é voltada para resíduos que necessitam de completa destruição. Mas também é empregada em muitos países para redução de todos os resíduos sólidos, com exceção do ferro e do vidro.
A partir do processo de queima é possível gerar energia. Os rejeitos da queima são enviados para aterros sanitários especiais (de classe 1, de acordo com a norma ABNT 10.004/04 ¬sobre “Resíduos Sólidos – Classificação”).
A biodigestão transforma material orgânico em biogás, que é utilizado na geração de energia. São utilizados no processo basicamente resíduos úmidos (restos de alimentos e poda de árvores), que equivalem a cerca de 50 ou 60% do lixo depositado nos aterros municipais. Para o funcionamento da biodigestão é preciso separar os resíduos secos (plásticos, metais, vidros, papéis, etc.), que por meio da reciclagem podem ser reintroduzidos no ciclo produtivo.
Acerca das duas tecnologias são estas algumas das questões analisadas: balanço energético, poder calorífero, custos de implantação, produção de receitas, entre outras.
Junto com o quadro comparativo operacional pretende-se fornecer indicadores de impacto social, urbano e sobre o meio ambiente para que os gestores municipais possam considerar vários aspectos no momento da tomada de decisão sobre qual a melhor alternativa a ser adotada.
ClimateWorks apoia políticas públicas para evitar alterações climáticas
A Fundação ClimateWorks oferece suporte a políticas públicas com ações que possam evitar alterações climáticas e a redução dos gases que causam o efeito estufa.
Os fundos da ClimateWorks são destinados a uma rede internacional de instituições com foco nas regiões e setores considerados pela fundação como responsáveis pela maioria das emissões de gases de efeito estufa.
Nas regiões onde atua a fundação estão incluídos: China, Índia, países europeus, Estados Unidos, México, Brasil e Indonésia. Entre os setores considerados responsáveis por emissões estão incluídos os de alimentação, transporte, edifícios, eletrodomésticos, uso da terra e indústria em geral.
Segundo a instituição são investidos em vários países mais de U$$ 150 milhões em iniciativas que contribuam para o meio ambiente, tais como a redução de aterros sanitários e a produção de energia sustentável.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013

TENDÊNCIA À INCINERAÇÃO CRESCE, APESAR DE LEI QUE PREVÊ FIM DOS LIXÕES



Um dos mais graves problemas brasileiros diz respeito ao destino do lixo produzido no país. Por dia são gerados mais de 230 mil toneladas de resíduos domiciliar e comercial, sendo que grande parte deles ainda é incinerada, ao invés de ser reutilizada ou reciclada.

A região metropolitana de São Paulo tem, pelo menos, três projetos   de construção de usinas de incineração de resíduos.   É o caso de Barueri,  que pretende investir R$ 160 milhões em uma instalação, e outros municípios que têm projetos para incinerar 500 toneladas de lixo por dia.

A tendência à incineração cresce à medida em que as cidades ficam com seus aterros esgotados. Além disso, a coleta e o transporte de resíduos custa às prefeituras bilhões de reais por ano, o que faz com que os riscos da incineração (emissão de dioxinas e furanos, cancerígenos, dependendo da temperatura) e os prejuízos para as cooperativas de catadores de materiais recicláveis sejam deixados em segundo plano.

Por mais que o Congresso estabeleça, por lei, que os lixões devem ser desativados, no projeto Política Nacional de Resíduos Sólidos, e que as empresas e municípios criem programas de manejo e proteção ambiental, a pressão em favor da incineração ainda é muito forte. As grandes empreiteiras da área de coleta de lixo ainda exercem grande influência nas políticas públicas e financiar soluções sustentáveis para o destino dos resíduos parece ser sempre a última opção.

Fonte: Envolverde 
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terça-feira, 9 de abril de 2013

Análise: Tecnologia de incineração não serve para todos os casos


CARLOS DA SILVA FILHO
ESPECIAL PARA A FOLHA

O Brasil produz 62 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, dos quais cerca de 89% são coletados e mais de 40% têm destinação inadequada, em lixões e aterros controlados.

A política nacional de resíduos sólidos, em vigor desde 2010, estabelece uma série de diretrizes, determinando que até agosto de 2014 o país deverá dar destinação adequada aos resíduos.

É preciso que os municípios, responsáveis pelos resíduos sólidos urbanos, estimulem a coleta seletiva e a reciclagem, e ainda promovam a adequação e a diversificação de seus sistemas.

O que inclui processos de tratamento, recuperação e valorização dos resíduos e da energia contida nos mesmos.

A geração de energia a partir do lixo já é uma realidade em outros países. Aproximadamente 170 milhões de toneladas de lixo por ano são destinadas a cerca de 950 usinas energéticas.

Com a adoção dessa alternativa de tratamento, que é segura e comprovada, vários países conseguiram resolver o problema de destinação final de seus resíduos. Vale ressaltar, no entanto, que essa não é uma solução para todas as realidades e para todos os tipos de resíduos.

As unidades de geração de energia a partir do lixo são equipamentos avançados que, para ter viabilidade, demandam consideráveis investimentos, volume de resíduos, mercado comprador e segurança jurídica do negócio.

Para estruturar tais projetos, além da tecnologia, é preciso abrir uma licitação que tenha por objetivo um contrato de longo prazo (concessão ou parceria público-privada) e a garantia de que os recursos investidos serão remunerados com tarifas adequadas.

Os municípios que optarem por essa solução devem ter um sistema de coleta seletiva de resíduos amplo e eficiente. Os desafios atuais só serão superados com ações integradas e atores comprometidos.
CARLOS ROBERTO VIEIRA DA SILVA FILHO é diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.
Fonte: Folha de São Paulo
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