Separação, coleta e destino do lixo domiciliar serão dificuldades para o município a curto e médio prazo
O Congresso Nacional aprovou há dois anos o Plano Nacional de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, que estipulou metas, prazos e objetivos para o setor. Entre eles está o fim dos lixões a céu aberto, que devem ser extintos até 2014, e a priorização da reciclagem, coleta seletiva e manejo correto dos resíduos.
Além disso, cidades e estados ficaram obrigados a criar um plano local, inclusive com ações futuras para se adequar às metas nacionais. Desde a última quinta-feira (2), as cidades que não estiverem com o estudo em mãos ficam impedidas de pleitear verbas federais para o setor de resíduos sólidos.
Após um ano de estudos, Bauru concluiu seu plano em cima do prazo. Essa é, entretanto, a versão oficial, já que o documento foi redigido sem nenhuma participação popular e está guardado sob sigilo até o momento.
O estudo, segundo o presidente da Emdurb Nico Mondelli, aponta a separação e destino final do lixo domiciliar como uma das prioridades.
Atualmente, Bauru destina cerca de 7,2 mil toneladas mensais de lixo das residências para o aterro sanitário. O local está no limite da capacidade, tanto que a prefeitura contratou por R$ 1,2 milhão – a licitação foi concluída semana passada –uma empresa para realizar sua ampliação lateral que deve dar uma sobrevida de ao menos 14 anos ao atual aterro.
Após um ano de estudos, Bauru concluiu seu plano em cima do prazo. Essa é, entretanto, a versão oficial, já que o documento foi redigido sem nenhuma participação popular e está guardado sob sigilo até o momento.
O estudo, segundo o presidente da Emdurb Nico Mondelli, aponta a separação e destino final do lixo domiciliar como uma das prioridades.
Atualmente, Bauru destina cerca de 7,2 mil toneladas mensais de lixo das residências para o aterro sanitário. O local está no limite da capacidade, tanto que a prefeitura contratou por R$ 1,2 milhão – a licitação foi concluída semana passada –uma empresa para realizar sua ampliação lateral que deve dar uma sobrevida de ao menos 14 anos ao atual aterro.
Além disso, o município aguarda liberação de uma área pertencente à Fazenda Pública do Estado para construir um novo aterro, que ficará bem próximo do atual.
As medidas, entretanto, não são suficientes para que Bauru destine corretamente o lixo. “Esse será nosso maior problema no futuro”, alerta o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), apesar de o assunto não ter avançado concretamente nos quatro anos de sua gestão.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos determina que o aterro sanitário deve receber apenas rejeitos (material que não pode ser aproveitado para nada). Já lixo orgânico e principalmente materiais recicláveis deverão ter outra destinação.
Não há prazo para essa adaptação, mas Saburo Takahashi, gerente de projetos do Ministério do Meio Ambiente, afirmou ao BOM DIA que isso deve ocorrer no “prazo mais curto possível”. O que está longe de acontecer em Bauru.
Atualmente, das 240 toneladas diárias de lixo domiciliar recolhidas pela Emdurb, cerca de 37% são de lixo orgânico, que automaticamente é despejado no aterro sanitário.
As medidas, entretanto, não são suficientes para que Bauru destine corretamente o lixo. “Esse será nosso maior problema no futuro”, alerta o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), apesar de o assunto não ter avançado concretamente nos quatro anos de sua gestão.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos determina que o aterro sanitário deve receber apenas rejeitos (material que não pode ser aproveitado para nada). Já lixo orgânico e principalmente materiais recicláveis deverão ter outra destinação.
Não há prazo para essa adaptação, mas Saburo Takahashi, gerente de projetos do Ministério do Meio Ambiente, afirmou ao BOM DIA que isso deve ocorrer no “prazo mais curto possível”. O que está longe de acontecer em Bauru.
Atualmente, das 240 toneladas diárias de lixo domiciliar recolhidas pela Emdurb, cerca de 37% são de lixo orgânico, que automaticamente é despejado no aterro sanitário.
Para dar outra destinação seria necessário uma Central de Triagem, que separaria o lixo orgânico dos rejeitos – além de recicláveis.
Segundo Rodrigo Agostinho, se ela fosse implementada em Bauru necessitaria de pelo menos 400 funcionários. “Mas a mão de obra é complicada de conseguir”, ressalta.
A separação, entretanto, é o menor dos problemas, pois uma Central de Triagem é relativamente barata. O problema seria a destinação final do lixo orgânico já separado.
As principais opções, Usina de Geração de Energia e Usina de Compostagem, ainda são caras e de difícil adaptação tecnológica. Além disso, Bauru ainda não possui nenhuma diretriz, nem estudo efetivo de que pretende construí-las.
Segundo Rodrigo Agostinho, se ela fosse implementada em Bauru necessitaria de pelo menos 400 funcionários. “Mas a mão de obra é complicada de conseguir”, ressalta.
A separação, entretanto, é o menor dos problemas, pois uma Central de Triagem é relativamente barata. O problema seria a destinação final do lixo orgânico já separado.
As principais opções, Usina de Geração de Energia e Usina de Compostagem, ainda são caras e de difícil adaptação tecnológica. Além disso, Bauru ainda não possui nenhuma diretriz, nem estudo efetivo de que pretende construí-las.
Reciclável /O material reciclável também acende o sinal de alerta no município. Segundo Rodrigo, a coleta (que será repassada da Secretaria de Meio Ambiente para a Emdurb) abrange 85% do município, mas apenas 10% da população separa os materiais.
Entretanto, de nada adiantaria uma campanha de conscientização. São recolhidos em média 220 toneladas mensais, repassadas para a cooperativa Cootramat, que não suporta nem a metade desta quantidade (veja ao lado). Além disso, cerca de 2% do total é automaticamente descartado ao aterro por estar sujo ou misturado a material orgânico.
É necessário, portanto, uma Usina de Triagem e Reciclagem ou o incentivo municipal para o surgimento de novas cooperativas, para que o lixo potencialmente reciclável não acabe junto com os demais.
Além dessas, existem diversas outras opções. Falta, entretanto, Bauru optar pelo planejamento. “O prazo ambiental é curto”, alerta Saburo.
Entretanto, de nada adiantaria uma campanha de conscientização. São recolhidos em média 220 toneladas mensais, repassadas para a cooperativa Cootramat, que não suporta nem a metade desta quantidade (veja ao lado). Além disso, cerca de 2% do total é automaticamente descartado ao aterro por estar sujo ou misturado a material orgânico.
É necessário, portanto, uma Usina de Triagem e Reciclagem ou o incentivo municipal para o surgimento de novas cooperativas, para que o lixo potencialmente reciclável não acabe junto com os demais.
Além dessas, existem diversas outras opções. Falta, entretanto, Bauru optar pelo planejamento. “O prazo ambiental é curto”, alerta Saburo.
Cooperativa processa menos da metadeA única cooperativa que atua na triagem e destinação do material reciclável no município é a Cootramat (Cooperativa de Materiais Recicláveis de Bauru).
É ela quem recebe em média as 220 toneladas mensais coletados pela Secretaria de Meio Ambiente, separando e vendendo o que pode ser reciclável.
Entretanto, segundo a cooperada Maria Cecília Oliveira, a entidade consegue processar menos de metade desse material – cerca de 80 toneladas por mês.
O restante acaba se acumulando na própria cooperativa, localizada no Jardim Redentor, ou distribuída para outras pessoas que atuam com material reciclável.
Apesar dos esforços, o BOM DIA apurou que muitos produtos potencialmente recicláveis acabam devolvidos ao aterro sanitário por falta de estrutura.
Segundo o presidente da Cooperativa, Valmir Moura, a entidade possui atualmente 23 funcionários. O ideal, entretanto, era ter o dobro disso.
“Deveríamos ter, no mínimo, 30 pessoas trabalhando aqui”, afirma o presidente.
Ele diz que cada cooperado associado consegue obter, trabalhando regularmente, uma média de R$ 800 mensais, e pede que mais pessoas se comprometam.
Valmir é favorável ao surgimento de outra cooperativa para ajudar no aproveitamento das 120 toneladas mensais que não são aproveitadas pela Cootramat. “Nosso trabalho não será prejudicado, pois a matéria-prima é atualmente excedente para o nosso suporte estrutural atual”, afirma.
Plano municipal é criado sem ideias dos bauruensesA CNM (Confederação Nacional dos Municípios) realizou pesquisa em 3,4 mil cidades do Brasil e constatou que quase metade delas não havia sequer iniciado seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Desde a última quinta-feira (2), quem não tem o documento não poderá pleitear verba federal para o setor de resíduos sólidos.
Bauru está inclusa nos 42% dos municípios que já iniciaram a elaboração do plano , mas ainda não concluíram. Pode parecer controverso, mas é justamente isso – a não conclusão do documento – que o cidadão bauruense deve reivindicar.
Desde o final de 2011, uma comissão formada principalmente por técnicos da Emdurb vem elaborando o documento praticamente a portas fechadas.
A única participação popular se deu pela presença de membros do Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente). Nenhuma audiência pública foi realizada para ouvir a população.
Valmir Moura, presidente da única cooperativa que atua na reciclagem em Bauru, sequer foi consultado ou teve acesso ao documento. “Sei que estão elaborando algo, mas ainda não vi”, afirma cooperado.
Na semana retrasada, o BOM DIA alertou que a prefeitura publicou decretos no Diário Oficial criando dois comitês: um para elaborar o Plano Municipal e outro para “assegurar a participação popular”. Isso quando o documento já estava praticamente pronto e com mais de cem folhas.
Tanto Nico Mondelli quanto Rodrigo Agostinho garantem, entretanto, que o plano ainda não está fechado, e asseguram que ele será discutido por meio de audiência pública.
Segundo Saburo Takahashi, gerente de projetos do Ministério do Meio Ambiente, o plano só deve ser aprovado mediante participação popular. “Para ter segurança, o plano precisa ser discutido pela sociedade e publicado no Diário Oficial”, afirma, ressaltando que ele poderia até ser encaminhado para a Câmara e se tornar uma lei municipal.
Outra deficiência apurada pelo BOM DIA no atual plano é que ele não estima quanto custarão as propostas. Segundo Nico Mondelli, “os valores serão definidos, em uma segunda etapa do plano”.
Uma cartilha do Ministério do Meio Ambiente é clara: diz que o plano tem que ter o sistema de cálculo dos custos.
Entretanto, segundo a cooperada Maria Cecília Oliveira, a entidade consegue processar menos de metade desse material – cerca de 80 toneladas por mês.
O restante acaba se acumulando na própria cooperativa, localizada no Jardim Redentor, ou distribuída para outras pessoas que atuam com material reciclável.
Apesar dos esforços, o BOM DIA apurou que muitos produtos potencialmente recicláveis acabam devolvidos ao aterro sanitário por falta de estrutura.
Segundo o presidente da Cooperativa, Valmir Moura, a entidade possui atualmente 23 funcionários. O ideal, entretanto, era ter o dobro disso.
“Deveríamos ter, no mínimo, 30 pessoas trabalhando aqui”, afirma o presidente.
Ele diz que cada cooperado associado consegue obter, trabalhando regularmente, uma média de R$ 800 mensais, e pede que mais pessoas se comprometam.
Valmir é favorável ao surgimento de outra cooperativa para ajudar no aproveitamento das 120 toneladas mensais que não são aproveitadas pela Cootramat. “Nosso trabalho não será prejudicado, pois a matéria-prima é atualmente excedente para o nosso suporte estrutural atual”, afirma.
Plano municipal é criado sem ideias dos bauruensesA CNM (Confederação Nacional dos Municípios) realizou pesquisa em 3,4 mil cidades do Brasil e constatou que quase metade delas não havia sequer iniciado seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Desde a última quinta-feira (2), quem não tem o documento não poderá pleitear verba federal para o setor de resíduos sólidos.
Bauru está inclusa nos 42% dos municípios que já iniciaram a elaboração do plano , mas ainda não concluíram. Pode parecer controverso, mas é justamente isso – a não conclusão do documento – que o cidadão bauruense deve reivindicar.
Desde o final de 2011, uma comissão formada principalmente por técnicos da Emdurb vem elaborando o documento praticamente a portas fechadas.
A única participação popular se deu pela presença de membros do Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente). Nenhuma audiência pública foi realizada para ouvir a população.
Valmir Moura, presidente da única cooperativa que atua na reciclagem em Bauru, sequer foi consultado ou teve acesso ao documento. “Sei que estão elaborando algo, mas ainda não vi”, afirma cooperado.
Na semana retrasada, o BOM DIA alertou que a prefeitura publicou decretos no Diário Oficial criando dois comitês: um para elaborar o Plano Municipal e outro para “assegurar a participação popular”. Isso quando o documento já estava praticamente pronto e com mais de cem folhas.
Tanto Nico Mondelli quanto Rodrigo Agostinho garantem, entretanto, que o plano ainda não está fechado, e asseguram que ele será discutido por meio de audiência pública.
Segundo Saburo Takahashi, gerente de projetos do Ministério do Meio Ambiente, o plano só deve ser aprovado mediante participação popular. “Para ter segurança, o plano precisa ser discutido pela sociedade e publicado no Diário Oficial”, afirma, ressaltando que ele poderia até ser encaminhado para a Câmara e se tornar uma lei municipal.
Outra deficiência apurada pelo BOM DIA no atual plano é que ele não estima quanto custarão as propostas. Segundo Nico Mondelli, “os valores serão definidos, em uma segunda etapa do plano”.
Uma cartilha do Ministério do Meio Ambiente é clara: diz que o plano tem que ter o sistema de cálculo dos custos.
Emdurb prevê coleta de lixo em containersSegundo Nico Mondelli, o município vai incentivar a colocação de containers em locais estratégicos (como o Calçadão da Batista) além de prédios e condomínios. Haveria separação do lixo úmido e do seco, para auxiliar na coleta, triagem e reciclagem. Ele diz que os veículos coletores da Emdurb já estão adaptados para a mudança, não sendo necessário comprar novos.
1,7 mi É o valor médio em reais recebido pela Emdurb para coleta do lixo doméstico
Construção Civil avança Segundo Nico, uma empresa privada está construindo uma usina de processamento de resíduos de construção civil em Bauru. Além disso, o município conseguiu R$ 1,6 milhão de emenda parlamentar para construir uma usina municipal.







