Em tempos de praticar a conscientização ambiental, a necessidade do planeta pode se tornar nicho para as pequenas e médias empresas (PMEs).
Em tempos de praticar a conscientização ambiental, a necessidade do
planeta pode se tornar nicho para as pequenas e médias empresas (PMEs). É o
caso da Massfix, de Guarulhos (SP), especializada na reciclagem de cacos de
vidro. Juliana Schunck, diretora da Massfix, conta que a empresa surgiu há 20
anos de uma necessidade do mercado. "Meu pai trabalhava na indústria e
percebeu que a fábrica precisava de cacos de vidro para baixar os custos da
produção", explica. "Com a matéria-prima reciclada, as fábricas economizam
por volta de 20% do custo de energia."
A empresa, além de atender a uma necessidade da indústria, auxilia na
destinação correta do material, que é 100% reciclável. Hoje, a Massfix atua na
captação de todos os tipos de vidro, desde o residencial até os do setor
automotivo. A coleta acontece em 10 estados, entre eles Paraná, São Paulo e
Bahia. Por mês, a empresa recolhe 12 mil toneladas de cacos de vidro. Desse
total, cerca de 10 mil toneladas são compradas pela indústria de vidro.
Para Juliana, o custo é um dos fatores decisivos na utilização desses
cacos e outro desafio para a Massfix. "O frete para recolhimento desse
material é alto, porque a maioria das indústrias se concentra na região
Sudeste, mas todo o território nacional produz cacos de vidro."
As empresas que contribuem com o vidro recebem pelo material que é
retirado. De acordo com Juliana, o faturamento bruto mensal do negócio é de R$
1,5 milhão.
A coleta
O vidro é coletado de transformadoras de placas de vidro, fornecedores
de embalagens e concessionárias, entre outros locais. Depois, o material é
levado para a fábrica da Massfix. Lá, é separado por cor, passa por um processo
de limpeza para descontaminação e, por fim, é moído e volta para a
indústria.
De acordo com Stefan David, consultor de reciclagem da Associação
Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), cerca de 45%
dos cacos de vidro produzidos no Brasil são reutilizados.
Política Nacional de Residos Sólidos
Em 2010, foi instituída a lei da Política Nacional de Residos Sólidos.
Todos os setores da economia foram convocados a apresentar projetos para a
destinação de seus residos. Segundo Stefan, a indústria do vidro deve enviar
uma proposta para o nicho de embalagens e vidros planos até janeiro de 2013. A
data para a apresentação do projeto referente ao descarte de vidro automotivo
ainda não foi estipulada.
Para Stefan, a nova organização de consumo e reciclagem deve abrir
espaço para as PMEs que decidirem entrar na cadeia de fornecimento de cacos de
vidro. "A indústria vidreira sabe fazer o vidro. Toda a atividade que
acontece antes da chegada do vidro separado, limpo e moído é terceirizada.
Acredito que existe um nicho que vai crescendo à medida que essas normas e
planos vão saindo do papel. A demanda da indústria vai crescer", analisa.
Fonte: Terra







