sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Saiba tudo sobre o inpEV

Mário Fujii • gerente de logística do inpEV
Mário Fujii • gerente de logística do inpEV
O Brasil é hoje o país que mais encaminha embalagens vazias de produtos fitossanitários para o destino ambientalmente correto (reciclagem ou incineração). Em 2008 foram corretamente destinadas 24,4 mil toneladas de embalagens vazias, o que representa um aumento de 15,6% em relação ao total de 2007, quando foram destinadas 21,1 mil t.
Esses números são resultado de esforços conjuntos, que envolvem agricultores, canais de distribuição, cooperativas, poder público e indústria fabricante, representada pelo inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias). Fundado em 14 de dezembro de 2001, o instituto entrou em funcionamento em março de 2002, atuando como um centro de consolidação e difusão das informações deste sistema.
 Dando início a uma série de esclarecimentos sobre as questões que envolvem o inpEV, o Informativo Agropecuário Coopercitrus falou com Mário Fujii, engenheiro agrônomo e gerente de logística do inpEV.
 
Informativo Agropecuário Coopercitrus – Como e por que surgiu o inpEV?
Mário – O inpEV surgiu da necessidade de se cumprir a Lei 9.974/00, que é o grande diferencial do Brasil em relação aos demais países que tem sistema de destinação final de embalagens vazias de defensivos agrícolas. É uma lei inteligente, que distribui responsabilidades para cada elo da cadeia produtiva.
O instituto foi organizado e é mantido pelas indústrias que produzem defensivos agrícolas, com o objetivo de gerenciar a destinação final ambientalmente correta das embalagens vazias de produtos fitossanitários em todo o Brasil. Além de transportar as embalagens vazias das 399 unidades de recebimento em todo o país para o destino final, o inpEV atua como um centro de consolidação e difusão das informações deste sistema, que é reconhecido como referência  mundial por seu modelo de gestão e estágio de maturidade.
 
Informativo – Como funciona na prática esta legislação?
Mário – Como mencionado anteriormente, a legislação estabelece as responsabilidades de cada elo da cadeia produtiva agrícola no sistema de destinação final de embalagens vazias de produtos fitossanitários.
Nesse sentido, o agricultor é responsável por lavar as embalagens, armazenar temporariamente na propriedade, devolver no local indicado na nota fiscal de venda e guardar o comprovante por um ano, para efeitos de fiscalização. Já os canais de distribuição, ao vender o produto, devem indicar o local de devolução das embalagens vazias na nota fiscal de venda, disponibilizar e gerenciar local de recebimento, emitir comprovante de entrega para agricultores, orientar e conscientizar esses produtores rurais.
A indústria fabricante (inpEV) é responsável por toda a logística de transporte, promovendo a coleta e a destinação dos volumes às recicladoras ou incineradoras. O poder público, por sua vez, tem as funções de: fiscalizar o funcionamento do sistema de destinação final, emitir as licenças de funcionamento para as Unidades de Recebimento, de acordo com os órgãos competentes de cada Estado e apoiar os esforços de educação e conscientização do agricultor quanto às suas responsabilidades dentro do processo. 
 
Informativo – E logisticamente, como funciona o sistema de destinação final de embalagens vazias de defensivos agrícolas?
Mário – Trabalhamos com o modelo de logística reversa, pelo qual o caminhão que transporta os defensivos agrícolas (embalagens cheias) até os distribuidores e cooperativas agrícolas, em vez de voltar vazio para o local de origem, segue até a unidade de recebimento mais próxima, carrega e transporta as embalagens vazias devolvidas (a granel ou compactadas) até o destino final: reciclagem ou incineração. 
Além de diminuir custos, a logística reversa traz benefícios ao meio ambiente, na medida em que o sistema emite menos poluentes por colocar menos caminhões na rua. Em 2007, a Logística Reversa foi responsável por 98,3% dos fretes realizados entre as centrais de recebimento de embalagens vazias de fitossanitários e o destino final (reciclagem ou incineração), propiciando uma redução de 45% nos custos do transporte. 
 
Informativo – Quais os ganhos ambientais já comprovados desse sistema?
Mário – Um estudo realizado pela Fundação Espaço ECO revelou que 98 mil toneladas de carbono deixaram de ser emitidas no meio ambiente entre 2002 e 2006, devido ao sistema de destinação final de embalagens vazias de produtos fitossanitários. Esse ganho ambiental pode ser traduzido em 491 mil árvores plantadas (294,6 por hectare), 224 mil barris de petróleo economizados ou ainda a redução de 167 mil viagens de carro entre Rio de Janeiro e São Paulo.
 
Informativo – Qual é a estrutura atual de unidades de recebimento de embalagens no Brasil?
Mário – Hoje existem 399 unidades de recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas espalhadas por 25 Estados brasileiros. Entre essas unidades estão 112 centrais e 287 postos. As centrais de recebimento são unidades com, no mínimo, 160 m² de área, responsáveis pelo recebimento, triagem e compactação das embalagens enviadas para o destino final ambientalmente correto. Já os postos de recebimento devem ter no mínimo 80 m² e recebem, inspecionam a lavagem e armazenam as embalagens, que depois seguem para as centrais. O agricultor deve devolver as embalagens no local indicado na nota fiscal de compra, que pode ser um posto ou uma central de recebimento.
Informativo – Como você avalia o desempenho do Brasil com relação à destinação de embalagens vazias, em comparação com outros países?
Mário – Atualmente, o Brasil ocupa a liderança entre os países que têm sistemas de destinação final de embalagens vazias de defensivos agrícolas. De acordo com os dados apresentados durante encontro global realizado na Polônia no fim de setembro de 2008 e organizado pela CropLife International, federação que representa a indústria de produtos fitossanitários, os índices de recolhimento de embalagens no Brasil são superiores aos de qualquer país do mundo. Hoje destinamos corretamente cerca de 90% das embalagens primárias (aquelas que entram em contato direto com o produto). No segundo país do ranking, a Alemanha, esse índice é de 65%. Já nos EUA, são corretamente destinados apenas 20% do total de embalagens colocadas no mercado.
O programa brasileiro de destinação final de embalagens vazias de defensivos agrícolas é hoje reconhecido internacionalmente e cada vez mais admirado por sua maturidade e excelência na gestão do destino final das embalagens vazias de defensivos agrícolas e seus benefícios ao meio ambiente.


Fonte: Revista Coopercitrus
 

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