O
segundo e último dia do VI EcoSP (Encontro Ambiental de São Paulo),
nesta terça-feira (13/11), trouxe ao debate os temas “Reciclagem de
alimentos: compostagem” e “Controle biológico de pragas”,
respectivamente com o permacultor Cláudio Vinícius Spínola de Andrade e o
engenheiro agrônomo Alexandre de Sene Pinto. A mesa, realizada no
período da tarde, teve a coordenação do vice-presidente do SEESP, Laerte
Mathias de Oliveira. O evento, realizado no Complexo Parque Anhembi, na
Capital paulista, foi uma promoção conjunta do SEESP e FNE (Federação
Nacional dos Engenheiros).
Andrade,
que também é da ONG Morada da Floresta, tentou desmistificar o processo
de reciclagem de resíduos orgânicos, apresentando-o como uma ação
simples que pode ser desenvolvida no espaço urbano, dentro de casas e
apartamentos. Ele diagnostica um distanciamento do homem da natureza, o
que causou o esgotamento dos recursos naturais, a contaminação das águas
e da atmosfera, a extinção de espécies, a poluição e a crescente
produção de resíduos. “Por mais que a sociedade avance em consciência
ambiental, assim mesmo continuamos destruindo o planeta”, adverte, e
questiona: “Qual o futuro que queremos e qual o legado que estamos
deixando para as próximas gerações?”.
Andrade
acredita que o descarte do lixo, como é feito hoje, se deve a uma visão
linear que a sociedade tem da sua produção. “Precisamos ter a visão
cíclica, o da transformação”, observando que os benefícios ambientais
são imensos, como: produção de adubos naturais, incentivo ao plantio
urbano, menos consumo de combustíveis fósseis. E descreve a cidade
ideal, onde o vento e a luz solar são aproveitados e os terrenos são
utilizados para plantios.
Para
ele, a compostagem doméstica é a sustentabilidade começando em casa e
reivindica a implantação dessa prática em locais disponíveis no
perímetro urbano, como em terrenos da prefeitura, da Sabesp, da
Eletropaulo, além dos particulares.
É aí
que entra o controle biológico que surgiu no Brasil e no mundo por
idealismo, destaca o agrônomo, observando, no entanto, que o processo é
ainda muito massacrado. A primeira experiência nesse sentido foi na
China, no século III dC (depois de Cristo). “Mas estamos numa fase muito
boa atualmente”, explicando que se antes o fenômeno natural de
regulação de plantas e animais baseava-se muito no empirismo, hoje tem a
ciência como aliada e propulsora de novas tecnologias e métodos.
Outro
exemplo bem-sucedido, um marco do controle biológico no mundo, se deu,
em 1888, nos Estados Unidos, com a importação de joaninhas (insetos
coleópteros da família Coccinellidae) da Austrália para a Califórnia, que salvou a plantação de citros da região.
No
entanto, o período negativo para o controle biológico de pragas se deu a
partir da década de 1940, junto com a Segunda Guerra Mundial, onde
produtos químicos foram utilizados para matar piolhos dos soldados que
estavam no front. O método foi transportado para a lavoura, mas
não tardou em causar efeitos nocivos, já a partir de 1950, com a
resistência dos insetos aos inseticidas, o aparecimento de novas pragas e
o ressurgimento de outras, desequilíbrios biológicos, efeitos
prejudiciais ao homem e resíduos nos alimentos, água e solo.
A
polêmica que envolve a utilização de defensivos agrícolas ou biológicos
tende a se acirrar. Pinto explica: “A crise dos alimentos tem vários
aspectos, as perdas na produção por causa de fatores climáticos, que
fogem ao nosso controle, e o aumento da população, especialmente as da
China, Índia e Brasil. A China, nos últimos cinco anos, elevou o consumo
de carne de 20 quilos por pessoa ao ano para 50. Esse acréscimo
significa aumentar milho, soja e outros vegetais que vão alimentar os
animais. Ou seja, além da carne, a gente precisa aumentar, e muito, a
produção de alimentos no campo.”
O
homem, para ele, corre contra o tempo para desenvolver tecnologias que
já deveriam ter sido criadas lá atrás. Mas acredita que o Brasil terá um
papel fundamental nesse novo cenário, porque o país tem a maior área
agrícola do planeta, utilizando atualmente apenas 17% dela, ocupa as
três primeiras posições na produção das principais culturas, exceto a de
trigo, e tem condições de avançar muito mais. Aliado a tudo isso, a sua
produção científica, entre 1998 e 2002, teve um incremento de 54%,
enquanto no resto do mundo foi de 9%. “E somos líderes em tecnologia de
país que tem cultura tropical”, informa.
Mesmo
com toda essa produção agrícola, que deve aumentar ainda mais nas
próximas décadas no território brasileiro, Pinto defende a utilização
dos agroquímicos apenas em último caso e a adoção do MIP (Manejo
Integrado de Pragas), que é o controle biológico com predadores e
parasitóides. Hoje o país é o maior consumidor mundial de agrotóxico,
passando os Estados Unidos. Em 40 anos, o consumo cresceu 700% e a área
agrícola, 78%. E alerta, ainda, que o alimento com a maior concentração
de resíduos desses defensivos não é mais o morango. “Foram encontrados
91% de resíduo acima do permitido no pimentão.”
Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESPFonte: http://www.seesp.org.br/site/imprensa/noticias/item/3392-sustentabilidade-na-cidade-e-no-campo-a-compostagem-e-o-controle-biol%C3%B3gico-de-pragas.html







