Estudo mostra que método para descarte de resíduos sólidos não altera qualidade do solo ou de água subterrânea
Aterros sanitários de pequeno porte e alternativas para o descarte de
resíduos sólidos urbanos em pequenas cidades foram o tema da tese de
doutorado de Cristiano Kenji Iwai, da Faculdade de Saúde Pública (FSP)
da USP. Formado em Engenharia Civil, Iwai comprovou que, em geral, não
houveram alterações significativas na qualidade do solo e das águas
subterrâneas, que invalidassem o método que é criticado por alguns
técnicos.
A pesquisa buscou avaliar se o método dos aterros sanitários de
pequeno porte era adequado ou não. Para isso foram escolhidas três
cidades do Estado de São Paulo com clima, solos e outras condições
diferentes entre si. As cidades de Jaci, Angatuba e Luiz Antônio foram
os alvos do doutorado denominado Avaliação da qualidade das águas
subterrâneas e do solo em áreas de disposição final de resíduos sólidos
urbanos em municípios de pequeno porte: aterro sanitário em valas.
Após a remoção de resíduos sólidos das valas nas cidades em questão e
preenchimento com terra, sondagem para atingir e avaliar também as
camadas mais profundas do solo, perfurações nas valas e em locais
próximos e coletas de amostras de solo e água subterrânea, entre outras
etapas da pesquisa, o engenheiro contou que os aterros menores
mostram-se viáveis como alternativa transitória.
“Os resultados encontrados são comparados com os limites de risco à
saúde humana, que é um padrão para o Estado de São Paulo em geral, no
gerenciamento de áreas contaminadas. Nesses casos, deve-se considerar,
ainda, que não há ocupação das áreas próximas às valas e portanto o
risco à saúde humana não é confirmado” esclarece o autor da tese.
O estudo orientado pelo professor Wanderley da Silva Paganini, da
FSP, envolveu a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), com
análises químicas e levantamento de dados, a Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), auxílio na contratação de
equipamentos e sondagem, o Instituto de Astronomia e Geociências (IAG)
da USP, com estudos geofísicos, um professor e um mestrando do campus de
Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Aceitação dos pequenos aterros
Iwai explica que os aterros de resíduos sólidos em pequenas cidades
foram sistematizados em 1997 pela Cetesb. Para eliminar os lixões a céu
aberto, os aterros pareciam ser uma opção simples e eficiente que
pequenos municípios do estado de São Paulo poderiam adotar. No entanto,
técnicos do assunto apresentavam críticas quanto à criação de uma área
que poderia ser contaminada, já que eles não apresentavam todos os
dispositivos de proteção ambiental utilizados em aterros sanitários
convencionais, como impermeabilização e sistemas de drenagem de gases e
lixiviados.
Mesmo assim, aproximadamente em 1999 o governo estadual aceitou o
método como alternativa e foi criado um manual de implantação de aterros
em valas. Houve uma opção de auxílio financeiro para a iniciativa em
281 municípios. Após serem observadas melhorias e mudanças de cenário
pela simplificação, em 2007 houve uma discussão em Brasília para
estender a técnica para outros estados. Em 2008 foram estabelecidas,
pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), regras, em nível
nacional, para o licenciamento de aterros de pequeno porte e a
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) produziu normas para que
o País inteiro pudesse usufruir da solução. As diretrizes nacionais
foram publicadas em 2010. “Todo esse processo me incentivou a pesquisar
melhor a concepção e qualidade dos aterros sanitários de pequeno
porte,”conta Iwai.
Procedimento de remoção dos resíduos da vala mais antiga do aterro de Angatuba, visando à preparação para a perfuração
Importância e validade
Apesar da viabilidade do método, o engenheiro deixa claro que é positivo
aceitá-lo como uma condição transitória. “Trata-se de uma evolução
gradual que isso [os aterros] pode fornecer, mas não se espera
depender dessa tecnologia eternamente, como uma solução única. É
necessário também trabalhar as pessoas culturalmente para redução da
quantidade de resíduos destinada aos aterros sanitários.”
Políticas nacionais estabeleceram a meta, com prazo para 2014, que
especifica que aterros sanitários poderão receber apenas rejeitos. Ao
contrário de resíduos, que podem ser reutilizados, recuperados ou
reciclados. Rejeitos não podem ser reaproveitados.
O autor da tese destaca que a pesquisa se faz relevante ao argumentar
em cima de questionamentos sobre os aterros sanitários de pequeno
porte. O estudo pode também comprovar a viabilidade do método, tendo em
vista que ele continua se expandindo para outros estados.
Imagens: retiradas da tese disponível neste link
Mais informações: email ciwai@sp.gov.br, com o pesquisador Cristiano Kenji Iwai
Matéria de Mariana Grazini, da Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 11/12/2012







