segunda-feira, 13 de maio de 2013

Chumbo envenena crianças em lixões


José Eduardo Mendonça - 07/05/2013 às 13:35Planeta Sustentável 
Fenômeno acontece em países de baixa renda
Crianças vivendo perto de lixo tóxico em países de média e baixa renda, como Índia, Filipinas e Indonésia, podem ter níveis mais altos de chumbo no sangue – o que resulta em perda de pontos de QI e uma incidência mais alta de retardo mental, de acordo com estudo apresentado ontem em Washington por Kevin Chatham-Stephens, pediatra ambiental da Faculdade de Medicina Mount Sinai, no encontro das Sociedades Acadêmicas de Pediatria.
Os pesquisadores mensuraram níveis de chumbo no solo e na água potável perto de 200 locais de lixo tóxico em 31 países, e depois estimaram os níveis de chumbo no sangue de 779.000 crianças potencialmente expostas ao material nestes lugares em 2010.
De acordo com Chatham-Stephens, estes níveis podem resultar em uma perda estimada de cinco pontos no QI e uma incidência de retardo mental em 6 de cada 1000 crianças.
“Em um nível global, esta análise sublinha a importância de dedicar mais recursos publicos de saúde para a identificação, avaliação e remediamento da situação nestes países,” disse Philip Landrigan, outro dos autores do estudo.
“Este estudo é importante porque, até onde sabemos, o efeito perigoso destes lixos tóxicos nunca foi calculado antes,” afirmou Chatham-Stephens.
Nos locais examinados pelos cientistas, vivem 8.6 milhões de pessoas expostas aos riscos de asbestos, crômio hexavalente, chumbo e outros materiais perigosos. Nestas populações, as exposições podem levar a uma perda de 829.000 anos de vida saudável como resultado de doenças, incapacitações e mortes prematuras, diz o trabalho publicado na Environmental Health Perspectives.
Em comparação, naqueles países, cuja população combinada é de 1.6 bilhão, a malária causa a perda de 725.000 anos de vida saudável, e a poluição do ar, quase 1.5 milhão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
Nos países em desenvolvimento, diz William Suck, microbiologista e especialista em saúde pública do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental da Universidade de Carolina do Norte, “tocou-se apenas a ponta do iceberg, e isso me deixa apavorado.”
Os lixões tóxicos identificados incluem centros de reciclagem de baterias de veículos e antigos curtumes, informa a Science News.
Foto: Blog Sem Destino/Creative Commons
 

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