Foto: Guto Silveira/Gazeta de Ribeirão
Momento da assiantura de contrato firmado entre a administração municipal e a Cooperativa Mãos Dadas
Cooperados receberão pela triagem do lixo reciclável e o resultado da venda, o que deve garantir cerca de um salário mensal a cada um
01/07/2013 - 21h15 | Guto Silveira
Depois de um protesto
na quinta-feira (27) e de uma reunião de cerca de quatro horas no Ministério
Público Estadual (MPE) na tarde desta segunda-feira (1) a Cooperativa Mãos
Dadas e a Prefeitura de Ribeirão Preto assinaram um contrato de prestação de
serviços para a triagem do lixo reciclável coletado. Pelo documento assinado, a
Administração municipal pagará à Cooperativa, que hoje tem 22 cooperados, R$
607,00 por tonelada de material separado.
A Prefeitura também
se comprometeu a fornecer Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), cesta
básica, um lanche diário e manutenção do local onde o trabalho será realizado,
como o pagamento de água, energia elétrica, conta telefônica, vigilância do
local, transporte do pessoal etc.
A cláusula do
contrato que gerava controvérsias, sobre a propriedade do material reciclado
foi mantida, porque as dúvidas foram dirimidas. O material será vendido e
destinado, neste primeiro momento, à Cooperativa, por ser ela a única
habilitada a receber os recursos.
Caso apareça uma
outra entidade também habilitada, os recursos serão divididos
proporcionalmente. O que a Mãos Dadas queria era figurar no contrato como única
beneficiária, o que não é permitido juridicamente, já que os valores têm função
social e como tal deve ser aplicado. O material que for coletado pelos
cooperados, a eles pertencerão.
“Se eventualmente
tiver só, de fato, a cooperativa Mãos Dadas no município que preencha os requisitos
legais, ela fica também com o produto triado”, explicou o promotor do Meio
Ambiente, José Donizete Lemos, que mediou as negociações entre as duas partes.
Aumento da capacidade
A presidente da Mãos Dadas, Iracy Pereira, comemorou o desfecho das negociações que já ocorriam desde o final do ano passado. “Agora, se Deus quiser, vamos ajustar mais pessoas, mais irmãos para trabalhar conosco. Estou muito feliz com o resultado porque vamos ajudar mais pessoas”, disse. Segundo ela, a cooperativa hoje tem capacidade para triar cerca de 40 toneladas de recicláveis por mês.
“Com o contrato,
vamos garantir uma renda melhor e aumentar a produção, porque mais pessoas vão
se interessar pelo trabalho”, comentou Iracy. Segundo ela o número de
cooperados já chegou a cem, mas a maioria desistiu em função da baixa renda.
“Nenhum pai de família consegue sobreviver com uma renda de R$ 120,00 ou R$
130,00 por mês”, afirmou.







