A Associação Brasileira de Logística (ABRALOG), firmou cooperação técnica com o Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (IBDS) para a criação do Comitê Nacional de Logística Reversa e Sustentabilidade.
Segundo Pedro Francisco Moreira, presidente da Abralog, "a parceria também engloba a realização de programas de capacitação, como MBA de Logística Reversa, cursos de curta e média duração, e encontros setoriais".
A Abralog, segundo Moreira, participará de ações institucionais com a finalidade de contribuir para melhorar a oferta de mão-de-obra qualificada, por meio de acordos que estão sendo assinados em diferentes setores (pneus, lâmpadas, produtos eletroeletrônicos, óleos lubrificantes, embalagens, pilhas e baterias..
Ricardo Vieira, presidente do IBDS, diz que o mercado ainda não oferece um profissional qualificado e habilitado para atender as exigências de logística reversa e as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei 12.305/2010.
"A nova legislação prevê a responsabilidade compartilhada no ciclo de vida de produtos, gestão de resíduos pós-consumo, indicadores de gestão da logística reversa, instrumentos fiscais e tributários, direito ambiental, gestão pública de resíduos sólidos, gestão da cadeia de suprimentos, princípios de poluidor-pagador e protetor-recebedor, entre outras disciplinas críticas”, explica.
Para João Batista da Silva, vice-presidente de Educação da Abralog, é necessário ter uma visão estruturada e sistêmica da logística reversa no País. "A regionalização do tratamento de resíduos pós-consumo terá que acontecer, pois os custos de transporte podem inviabilizar qualquer análise econômica de um projeto de logística reversa”.
O presidente do IBDS, Ricardo Vieira, lembra que existem setores críticos, como os de lâmpadas e medicamentos vencidos para os quais o tratamento de resíduos não gerará receita residual, dessa forma, é necessário equalizar os custos da operação para cada tipo de acordo setorial. "Não existe uma receita de bolo, há necessidade primordial de consolidar estudo georeferenciado dos polos de maior geração", afirma.
Apesar de a legislação ser recente, Pedro Francisco Moreira, da Abralog, lembra que há empresas com "ótimas práticas de logística reversa de pós-vendas, como a HP Brasil, que gerencia uma operação há mais de 15 anos no Brasil de cartuchos e torners, com rastreabilidade de solicitações. O programa de reciclagem, que tem medição de resultados em cada etapa, é apoiado por grandes redes varejistas, que oferecem pontos de coleta”.
Outro bom exemplo, aponta João Batista Silva, VP de Educação da Abralog, é o projeto PET-PCR (pós-consumo reciclado), que envolve toda a cadeia produtiva: cooperativas, recicladores, transformadores e a indústria de embalagens”.
O trabalho é árduo e o País tem muito a fazer com relação à educação ambiental, para que o consumidor entregue seus produtos e materiais recicláveis, principalmente embalagens em geral, nos pontos de entrega voluntária (PEVs), existentes no varejo e e em unidades públicas. Ricardo Vieira, do IBDS, diz: "Estamos dispondo muitos recursos, como energia, água, insumos em aterros sanitários e lixões. O Poder Público Municipal precisa também fazer sua parte nesse processo, aliando-se à responsabilidade compartilhada de fabricantes, distribuidores, importadores e varejistas”.
Nisso tudo “é importante que os acordos setoriais avaliem a malha logística do País, pois precisamos verificar se os projetos desses acordos setoriais contemplam a deficiência de nossa malha e se criam opções para que os pólos de geração tenham estrutura mínima suficiente para recebimento e tratamento adequado, de acordo com as exigências do Comitê Orientador para a Implantação da Logística Reversa (CORI) e da Política Nacional de Resíduos Sólidos”, aponta o vice-presidente de Educação da Abralog, João Batista da Silva.
Segundo o diretor de Relações Socioambientais e de Comunicação da Ambev, Ricardo Rolim, “o ciclo da embalagem PET-PCR garante à companhia um estágio elevado no processo de reciclagem de nossas embalagens, dando a elas, grau máximo de reciclabilidade, além de reduzir drasticamente a geração de resíduos no processo pós-consumo com a destinação garantida em seu próprio ciclo de vida, e também reduzir as emissões de gases efeito estufa (GEE) e economizar recursos naturais básicos (água e energia) no processo produtivo”.







