quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A LEI QUE PEGOU



03/08/2012 - DCI



Ao completar o segundo ano em vigor, a Lei 12.305, de 2 de agosto de 2012, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) preencheu uma importante lacuna em nosso ordenamento jurídico, além de deixar como legado uma experiência bem sucedida de construção legislativa que teve como princípio o diálogo franco e aberto que permitiu superar obstáculos cristalizados e promoveu a articulação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário com a Sociedade Civil

Se pensarmos que o "lixo" através dos séculos sempre foi enfrentado como um problema a ser afastado dos olhos e das narinas da população, teremos a dimensão exata da realidade a ser transformada. Nesse sentido a PNRS estabelece em suas diretrizes uma nova ordem de gestão e gerenciamento que promoverá a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem dos resíduos sólidos o que elevará a condição do "lixo" para bem econômico e de valor social, além de promover a recuperação energética pautada em tecnologias modernas, eficientes e com padrão de qualidade ambiental.

A segurança jurídica trazida pela Lei tem movimentado o setor empresarial, especialmente nas tratativas acerca dos acordos setoriais para a implantação da logística reversa e na consolidação do setor de resíduos sólidos como um estratégico nicho de negócios e oportunidades, sobretudo nas áreas de consultoria, máquinas e equipamentos e inovação tecnológica entre outras.

O governo federal tem agido por meio do Comitê Interministerial (um amplo colegiado de ministérios) responsável pela estruturação e implementação da PNRS. E, pelo Comitê Orientador da Logística Reversa que é composto pelos seguintes Ministérios: Meio Ambiente; Saúde; Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fazenda e Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Os acordos setoriais e termos de compromisso que instrumentalizarão a implementação e operacionalização da logística reversa já tem nos setores de óleos lubrificantes e embalagens em geral encaminhamentos objetivos para em curto espaço de tempo serem colocados em prática e, seguem também as tratativas junto aos setores de eletroeletrônicos, lâmpadas e medicamentos.

Do Estado de São Paulo vieram as primeiras medidas de acordos setoriais e termos de compromisso, o governo de Geraldo Alckmin promoveu um importante passo ao pactuar com setores do empresariado paulista a implementação da lei estadual em harmonia com a lei nacional.

Devem ser reforçadas as iniciativas do Executivo Federal junto às prefeituras e governos estaduais com orientações para a elaboração dos planos de gestão de resíduos por meio de treinamento, além de orientação para a elaboração dos planos, que está disponível no site do Ministério do Meio Ambiente. Contudo, o governo federal compromete, causa frustração e deixa de impulsionar ainda mais a execução da PNRS ao não apresentar o Plano Nacional de Gestão de Resíduos Sólidos, que foi objeto de audiência pública ao longo de 2011 e recebeu contribuições de diversos segmentos da sociedade civil.

Dois de agosto também marca o final do prazo para municípios e estados, obrigatoriamente apresentarem seus respectivos planos de gestão em acordo com o que estabelece a PNRS. A ausência dos planos impedirá o acesso aos recursos da União para a área de resíduos sólidos.

Os desafios são muitos para mudarmos paradigmas e chegarmos a melhores níveis de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos. O que temos presenciado com o fechamento do "lixão" de Jardim Gramacho (RJ) deverá acontecer em todo o nosso território até 2014.

Organizar os municípios pequenos e médios em consórcios, universalizar o serviço de coleta, priorizando a coleta seletiva formal com a participação das cooperativas de catadores, dar efetividade aos instrumentos econômicos (incentivos fiscais e creditícios para garantirmos a sustentabilidade econômica da implementação), articular temas correlatos como o saneamento básico e mudanças climáticas.

E, por fim, ressaltar que a educação ambiental tem que fazer parte do cotidiano da sociedade para que os cidadãos sejam os protagonistas nessa cruzada a favor da cidadania ambiental, da sadia qualidade de vida e contra o consumismo, o desperdício e a degradação ambiental.

Em tempos que a Economia Verde ganha destaque e orienta novas posturas de governos, setores da economia e sociedade, a PNRS coloca o Brasil no rumo certo para transformar a grande problemática do "lixo" em soluções e novas oportunidades.

Arnaldo Jardim é membro da Frente Ambientalista da Câmara Federal

Jose Valverde Machado Filho é diretor-presidente do Instituto Cidadania Ambiental (ICA)

 

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