São Vicente (SP) – Galpão da empresa Rhodia próximo ao bairro
residencial Gleba II, em São Vicente, na baixada santista. A empresa
armazenou durante décadas milhares de toneladas de resíduos tóxicos em
terrenos da Baixada Santista. Foto de Marcelo Camargo/ABr.
A empresa Rhodia não planeja dar a mesma destinação do lixo tóxico
armazenado na antiga fábrica de Cubatão aos resíduos que estão
concentrados em um terreno de São Vicente, município do litoral
paulista, disse à Agência Brasil o diretor industrial da instituição,
Gerson Oliveira.
“Não é uma operação retida pela organização neste momento. Estamos
buscando alternativas”, declarou. Ele aponta que o confinamento a que o
material está sujeito no local é uma boa solução técnica, pois não
oferece risco às pessoas, nem ao meio ambiente.
De acordo com a Rhodia, cerca de 3 mil toneladas de lixo tóxico, que
resultou do processo de produção da indústria em Cubatão, na Baixada
Santista, serão transportados para Camaçari, região metropolitana de
Salvador (BA), para ser incinerado pela empresa de soluções ambientais
Cetrel Lumina. O material é comprovadamente cancerígeno.
A ação, conforme divulgado com exclusividade pela Agência Brasil
http://www.ecodebate.com.br/bCn na última terça-feira (20), foi
autorizada pelos órgãos ambientais dos dois estados: Instituto de Meio
Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia e Companhia de Tecnologia
de Saneamento Ambiental (Cetesb) de São Paulo, que informou autorização
para o transporte de 5 mil toneladas de resíduo.
De acordo com o Oliveira, uma das razões para dar destinos diferentes
aos materiais tóxicos de Cubatão e São Vicente é o volume de lixo
armazenado nesses locais. Ele informou que a quantidade de resíduos é
pelos menos dez vezes maior no terreno vicentino, com cerca de 30 mil
toneladas.
A área, chamada de Estação de Espera, aglutina resíduos de pelo menos
outros seis terrenos da Baixada Santista que também receberam descarte
de material. A área fica localizada às margens da Rodovia Padre Manoel
da Nóbrega (SP-055).
Oliveira explicou ainda que as duas áreas têm características de
armazenamento diferentes, o que torna mais urgente a queima do material
presente na antiga fábrica. “Os resíduos que eu tenho em Cubatão estão
em um armazém e os outros [de São Vicente] estão em um confinamento.
Esses outros, entre as aspas, já têm uma solução. Então eu tenho que
partir para algo que seja melhor do que isso. São abordagens distintas”,
defendeu.
A tentativa de transportar o material contaminado por compostos
organoclorados, como o pó da china (pentaclorofenato de sódio) e o
hexaclorobenzeno, de São Vicente, já havia sido feita pela Rhodia em
2004. A iniciativa foi suspensa por definição do juiz Ricardo D’Ávila,
da 5ª Vara da Fazenda Pública da Bahia.
Apesar de estudar outras formas tecnológicas para destruição dos
resíduos de São Vicente, o diretor industrial defendeu a operação de
transporte e incineração na Bahia e destacou que a empresa está
confiante no procedimento.
“É extremamente seguro. Temos tido um cuidado extremo, seja do ponto
de vista técnico, seja do administrativo. É um incinerador que tem
tecnologia apropriada para esse tipo de destruição e que é todo
monitorado por dentro. Tivemos pré-testes e testes para assegurar toda
essa operação exemplar em termos de destruição térmica por incineração”,
declarou.
Para órgãos ambientais paulistas, a incineração a ser feita pela
Cetrel servirá de modelo para uma futura decisão sobre o caso de São
Vicente. O secretário municipal de Meio Ambiente, Alexandre Casasco,
disse na última quinta-feira (22) à Agência Brasil que poderá exigir o
mesmo procedimento caso o processo de queima do material seja positivo.
Reportagem de Camila Maciel, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 26/11/2012







